Astrologia: uma falsa ciência – parte 1

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In memoriam a Carl Sagan (1934-1996)

Introdução

Só aquele que possui uma fé profunda pode se dar ao luxo do ceticismo
Friedrich Nietzsche

A Astrologia surgiu a mais de 3.000 anos, provavelmente na Babilônia. Numa definição mais prática, pode-se dizer que se trata de um sistema de crenças que pretende prognosticar o futuro ou as características de um indivíduo por meio de cálculos relativos à posição dos planetas no momento do seu nascimento.

É definida pelo astrólogo J. A. Cesar Müller como: “O termo Astrologia significa conhecimento dos astros. A sua primeira finalidade é prospectiva, sendo considerada também como arte sagrada, pois trata dos fatos do destino, interpretando emoções.“

As técnicas astrológicas eram consideradas muito importantes no princípio, pois eram bem aceitas pelas classes dominantes e também por ainda não haver uma diferenciação entre elas e a Astronomia. Tudo caminhava junto. No entanto, com o surgimento das bases científicas e das posições racionalistas de homens como Copérnico, Kepler e Newton, a Astrologia começou a declinar, pois não apresentava bases científicas para a cultura da época.

Até hoje, os conhecimentos científicos questionam a validade da Astrologia. Portanto, através da razão e do bom senso, não se deve levar a sério esta pseudociência. Nas linhas seguintes serão apresentados argumentos suficientes para demonstrar a invalidade das técnicas astrológicas.

Astronomia heliocêntrica X Astrologia geocêntrica

Não há crença, por mais imbecil que seja, que não irá receber partidários ferrenhos e será defendida até a morte
Isaac Asimov

A Astronomia e a Astrologia possuem visões diferentes sobre o heliocentrismo e o geocentrismo. Para os astrônomos, a movimentação dos astros pelo Cosmo não contém nenhum significado “especial”, além do simples fato do périplo dos planetas e estrelas (“planeta” em Grego significa viajante). Para os astrólogos, a movimentação de objetos celestes ganha “algo a mais”, pois consideram que o Sol gira em torno da Terra e o centro supremo deste fato é a mente humana.

A astronomia e a astrologia possuem visões diferentes: o heliocêntrismo e o geocêntrismo
A Astronomia e a Astrologia possuem visões diferentes: o heliocentrismo e o geocentrismo

Na história da ciência, tal alegação já foi estagnada há séculos pelas grandes mentes que viveram nesta biosfera. Mas, apesar de todos esses conhecimentos e avanços científicos, essa pseudociência nunca perdeu “pontos” por isso – ao extremo contrário, a cada dia se alastram homens aos mais diversos em estudá-la, sem qualquer método crítico.

Segundo o astrônomo Carl Sagan, talvez haja dez vezes mais astrólogos do que astrônomos nos Estados Unidos, além da França existir mais astrólogos do que padres católicos romanos.

No mundo em que grandes astrônomos como Copérnico, Galileu ou Tycho Brahe se dedicavam também à Astrologia – talvez pelo prestígio dela na época -, atualmente astrônomos sérios simplesmente a abominam, depois da sedimentação de conhecimentos modernos e válidos.

Cálculos errôneos

Evitar superstições é outra superstição
Francis Bacon

Uma grande crítica à Astrologia é o fato de que ela baseia seus cálculos nos corpos celestes que são eventualmente conhecidos pelos homens. Considera não apenas que os planetas influenciam o curso de vida da humanidade, como defendem também que esses efeitos variam de pessoa para pessoa, segundo a data e a hora de seu nascimento.

Ptolomeu, um dos maiores intelectuais do século II, estabeleceu os princípios da influência cósmica que constituíram as bases da Astrologia de sua época, na qual só eram conhecidos, além do Sol e da Lua, seis planetas.

Portanto, apenas estes astros “influenciariam” os indivíduos, isentando a ação de qualquer outro corpo celeste. No entanto, hoje já se conhecem nove planetas em nosso Sistema Solar; todos agora admitidos pelos astrólogos. Em vista disso, a Astrologia teria demonstrado erros ao longo de sua existência, pois não considerava os cálculos destes astros.

Os astrólogos apontam os planetas, essencialmente o Sol e a Lua, como influentes na vida e no destino dos homens. Mas, a ciência moderna considera que somente a Lua e o Sol trazem efeitos, não aos humanos, mas às marés da Terra.

Sendo assim, os efeitos dos campos gravitacionais dos outros planetas são pequenos demais para exercer qualquer função detectável nos oceanos, e muito menos em corpos tão diminutos como são os cérebros humanos (ou mais ainda em suas intrincadas conexões neurais). Como disse o físico Steven Weinberg:

Físico Steven Weinberg: as pessoas acreidtam na Astrologia como uma ciência autônoma
Físico Steven Weinberg: as pessoas acreditam na Astrologia como uma ciência autônoma

“De fato, não creio que a maioria das pessoas que acreditam em Astrologia imagine que ela funcione devido a gravitação ou a qualquer outro agente do escopo da física; acho que acreditam na Astrologia como uma ciência autônoma com suas próprias leis fundamentais, que não serão explicadas pela física ou qualquer outra coisa. Um dos grandes benefícios da descoberta do padrão das explicações científicas é o de nos mostrar que não existem tais ciências autônomas”.

Ao longo dos tempos a Astrologia vem adicionando novos elementos em suas técnicas, à custa da ciência. Inicialmente considerando apenas os planetas visíveis, posteriormente adaptando seus estudos à novas descobertas de astros. Porém, ainda hoje abominam uma enorme variedade de novos objetos astronômicos, descobertos recentemente através das novas tecnologias de telescópios e satélites.

Nessas descobertas recentes e parciais foram catalogados 5.000 asteroides de variados tamanhos, bem próximos à Terra (muitos destes se encontram mais próximos à Terra do que os planetas distantes), fato este que os astrólogos desprezam em seus cálculos e não consideram que os mesmos influenciam os homens. Desde então, onde está a Astrologia dos asteroides próximos à Terra?

Continue lendo – Vá para a parte 2

 

2 COMENTÁRIOS

  1. Achei ótimo o texto acima. Em sua forma e em seu conteúdo, límpido como deve ser. Pena que mentes inéptas, crentes de sandices como astrologia, quiromancia, tarô, não param a fim de ler isso.

    Faltou um conteúdo, no entanto. Sugiro acrescentar as técnicas de leitura fria (cold reading), hoje difundidas e tornadas públicas por P.T. Barnum e trazidas a lume pro Derren Brown… Sabendo-se essas técnicas de linguagem ampla que parecem dizer coisas específicas, qualquer um poderia se tornar \’astrólogo\’… Mais uma maneira de mostrar a farsa dessa pseudociência.

    Abraço. Tens que divulgar mais este texto!

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