Alexandre de Carvalho Borges – Março de 2005

Outros contatos por meios técnicos com extraterrestres

No terreno da Transcomunicação Instrumental, nem todos os pesquisadores aceitaram o conceito do pioneiro Jürgenson, de que as vozes seriam de espíritos. Pelos resultados de suas próprias investigações, os pesquisadores sentiam que deveria haver outro componente causador das manifestações de aparições de vozes em gravadores, em rádios e telefones.

Alguma entidade extraterrestre poderia estar por detrás de uma porcentagem das manifestações? Alguns pesquisadores se aventuraram neste campo inexplorado.

Uma das pioneiras neste ramo de pesquisa foi a pesquisadora Sarah Estep, fundadora da American Association of Electronic Voice Phenomena (AA-EVP – Associação Americana do Fenômeno das Vozes Eletrônicas). Estep acredita ter recebido algumas vozes de extraterrestres por meio do seu gravador de fita.

Vozes mencionam sobre espaçonaves, de procederem da estrela Alfa Centauro e de estarem próximas da pesquisadora para ajudá-la. Estep conta sobre suas experimentações com gravações de supostas vozes de espíritos e entidades extraterrestres no seu livro Voices of Eternity (Ballantine Books, 1988).

 Sarah Estep acredita ter recebido vozes de extraterrestres por meio do seu gravador de fita.
Sarah Estep acredita ter recebido vozes de extraterrestres por meio do seu gravador de fita.

Ainda nos anos 80, a pesquisa da Transcomunicação Instrumental seria tomada de surpresa com os resultados avançados e inovadores das experiências vividas por um casal luxemburguês, Jules e Maggy Harsch-Fischbach. O casal tinha chegado a um patamar de conjunto de resultados nunca antes obtido por nenhum outro pesquisador.

Eles estavam na vanguarda da pesquisa da época, algo que amargaram, muitos anos mais tarde, a acusação de fraude, por tamanha expressão da manifestação fenomênica. Os Harsch diziam obter comunicações em áudio por meio dos aparelhos de telefone, gravador, rádio, computador e fax, e também comunicações em vídeo pela televisão com entidades espirituais e com seres superiores vivendo em outras dimensões.

Maggy escreveu o livro Transcomunicação: A Comunicação com o Além por Meios Técnicos (Pensamento, 1989) junto com o parapsicólogo Theo Locher, narrando suas experiências. Os Harsch diziam estar em contato com várias entidades. Uma delas era uma entidade não humana, de codinome “O Técnico”, que transmitia inúmeros conhecimentos para o aperfeiçoamento da aparelhagem de contato.

Outra entidade se apresentava como Dra. Swejen Salter, que vivia em outra dimensão além da nossa. E o casal dizia, assim, manter permanente e rotineiro contato com seres habitantes de outras dimensões, (extradimensionais), mas nada era relacionado diretamente a tripulantes de UFOs.

A listagem de tentativas, fracassos e buscas de se alcançar uma resposta vinda de extraterrestres por meios de aparelhos é imensa. Tantos homens sonharam, através dos tempos, e ainda sonham em conseguir constituir uma comunicação clara com extraterrestres por meio de algum aparelho físico, como um rádio, que se facultasse sintonizar numa estação e dialogar livremente. Ou, como em um telefone, onde pudesse discar ou receber uma chamada.

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A pesquisadora Maggy Harsch-Fischbach dizia contatar entidades não humanas por aparelhos

Tudo ainda é loucura perante a ciência, que descarta todas essas histórias como pseudociência de uma era de tecnologia. Talvez, todos esses episódios estejam mesmo equivocados e sejam acontecimentos naturais ainda não bem compreendidos, ou… talvez haja algo de concreto nesse ambiente ruidoso de aparente desordem e desconexão.

A Transcomunicação Instrumental nasceu como uma tentativa de estabelecer diálogo com espíritos, mas inovou e abrangeu a possibilidade de também se comunicar com ufonautas, com extraterrestres em nosso Universo ou mesmo seres de outras dimensões.

Apesar de quase 50 anos, as pesquisas ainda são embrionárias, os resultados pretensamente atribuídos à ETs estão ainda sendo debatidos e o investigador ainda está tateando nas possibilidades, sem muito saber porque seus aparelhos estão apresentando anomalias, das quais a ciência atual nega existir ou explica-as convencionalmente.

Talvez, não obtenhamos nenhuma resposta pela procura oficial de ETs com o SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence), mas se investirmos em um programa oficial de pesquisa sobre as Vozes Eletrônicas, quem sabe obteríamos resultados promissores.

Na segunda metade do século XX, alguns ufólogos têm filosofado sobre a possibilidade de que os tripulantes dos discos voadores e os espíritos serem duas manifestações diferentes de uma mesma origem.

Tem-se tentado criar e estabelecer uma categoria chamada de Ufologia Espírita ou mesmo Espiritismo Ufológico, para preferência de outros. Já outro grupo de pensadores vai mais além e tentam agrupar diversas entidades do mundo sobrenatural, tais como anjos, fadas, fantasmas e similares, em uma origem comum.

Um dos mais influentes pensadores dessa corrente é o escritor e pesquisador do paranormal, John Keel. Quem sabe, ufólogos, espíritas, religiosos e parapsicólogos estejam buscando algo que, no fundo, seja a manifestação múltipla de um mesmo algo. Só o futuro dirá.

Referências

[1] BENDER, Albert K. Flying Saucers and the Three Men. Clarksburg, WV: Saucerian Books, 1962.

[2] BRUNE, Pe. François. Os mortos nos falam. Tradução de Arlete M. Galvão de Queiroz. 2. ed. Sobradinho, DF: Edicel, 1994.

[3] ESTEP, Sarah. Voices of eternity. New York: Ballantine Books, 1988.

[4] JURGENSON, Friedrich. Telefone para o Além. Tradução de Else Kohlbach. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972.

[5] LOCHER, Theo; HARSCH, Maggy. Transcomunicação: a comunicação com o Além por meios técnicos. Tradução de Harry Meredig. São Paulo: Pensamento, 1997.

[6] MATHEWS, Arthur H. The wall of light: Nikola Tesla and the venusian space ship. The X-12. Pomeroy, WA: Health Research, 1973.

[7] PUHARICH, Andrija. Uri Geller: um fenômeno da Parapsicologia. Tradução de A. B. Pinheiro de Lemos. Rio de Janeiro: Record, 1974.

[8] WILLIAMSON, George H.; ‎ BAILEY, Alfred C. The saucers speak! A documentary report of interstellar communication by radio telegraphy. Los Angeles, CA: New Age Publishing Co., 1954.

Fim. Volte para a parte 1

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