O ufólogo Claudeir Covo acaba de publicar sua pesquisa sobre a fraude das fotografias de uma alegada aparição de um disco voador sobre o bairro da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, ocorrido no ano de 1952. Em coautoria com a pesquisadora Paola Covo, o artigo foi publicado no site do INPU.

As investigações de Claudeir sempre visam o esclarecimento em busca de uma Ufologia séria. O ufólogo escreve em seu artigo que o fotógrafo Ed Keffel e o jornalista João Martins – atores da fraude fotográfica – “forçaram a barra” com essa história, concluindo que a Ufologia brasileira lamentavelmente nasceu de uma grande fraude.

Uma carta de uma testemunha fantasma

Uma questão crucial sobre este caso Barra da Tijuca é sobre as outras possíveis testemunhas que poderiam ter avistado o sobrevoo do “disco voador” sobre o mar. Em seu artigo, Covo escreve:

“Eles [Keffel e Martins] ligaram para a redação e informaram o fato. Ainda procuraram por testemunhas, mas nada. O pescador Claudionor, o Nonô, nada vira. O dono do bar, também. Dois casais que ali estava comendo camarões também nada viram.”

Uma das fotos de Ed Keffel
Uma das fotos de Ed Keffel

Baseado no que o pesquisador Covo escreveu e pelo que é narrado na literatura deste caso, não houve outras testemunhas do avistamento de um UFO na região – além dos dois repórteres. No entanto, em um trecho do livro da pesquisadora Irene Granchi, UFOs e Abduções no Brasil, na página 40, ela afirma que recebeu uma carta de um médico que teria sido testemunha da aparição.

Segundo Granchi, a carta do suposto médico descreve que ele se encontrava próximo ao local do avistamento, junto com sua esposa, no mesmo dia e horário da aparição do “disco voador”.

Granchi nada mais conta sobre essa suposta testemunha. Na verdade, ela nunca encontrou pessoalmente este médico e nem colheu seu depoimento por outro meio. Sem maiores confirmações, aparentemente esta teria sido uma carta anônima. A pergunta que fica é: existiram essas duas testemunhas?

A Ufologia brasileira nasceu de uma fraude

Por convenção, o “nascimento” da Ufologia brasileira é atribuído ao caso Barra da Tijuca, ocorrido em 1952. Alguns ufólogos acreditam que esse marco histórico seria uma “mancha negra” na Ufologia brasileira, já que o episódio foi uma retumbante fraude. A verdade é que essas datas são apenas uma convenção, mas não um registro exato do nascimento de uma disciplina.

O fotógrafo Ed Keffel
O fotógrafo Ed Keffel

Se a Ufologia brasileira nasceu de uma fraude, a mundial nasceu de um engano. Por convenção, o “nascimento” da Ufologia mundial é marcado pelo avistamento de alguns UFOs pelo aviador Kenneth Arnold, ocorrido no ano de 1947.

Entretanto, apesar dele ter afirmado que avistou alguns objetos sobrevoando próximo ao Monte Rainier, os UFOs descritos por ele não tinham o formato de disco – ao contrário do que a imprensa da época publicou. Pouca importava publicar uma posterior errata nos jornais, o mito das naves extraterrestres com formato de disco já havia sido criado a partir dali.

Defensores remanescentes querem refutar a conclusão de fraude

Depois que as pesquisas de Claudeir Covo foram publicadas declarando fraude fotográfica neste caso, alguns pesquisadores declararam que iriam rebater a conclusão com novos dados. Até hoje não apareceu ninguém para refutar o atestado de montagem fotográfica deste episódio.

Acreditamos ser válido os defensores remanescentes publicarem suas conclusões sobre este episódio. Assim, estaremos dando espaço para a contra argumentação e fomentando o debate de ideias, mesmo que pessoalmente duvidamos que alguém consiga derrubar a conclusão de fraude fotográfica neste caso.

Close-up de uma das fotos de Ed Keffel
Close-up de uma das fotos de Ed Keffel

Não pudemos detectar um argumento técnico contundente que qualifique as fotos do fotógrafo Ed Keffel como autênticas. O estudo que os militares conduziram na época sobre estas fotografias contém erros.

Ademais, a questão da “oficialidade” em casos ufológicos é relativa. Preferimos enxergar relativamente um caso pela sua “oficialidade”, pois os militares também erram em suas análises; e eles erraram ao validar essas fotografias do caso Barra da Tijuca como verdadeiras.

Até hoje não apareceu nenhum estudo que derrubasse a divergência da iluminação entre o “disco voador” e o ambiente. Aliás, a conclusão de montagem fotográfica já havia sido constatada décadas atrás, através das análises do pesquisador civil William Spaulding e também pelos investigadores do relatório Condon.

A revista O Cruzeiro veiculou as fotos de Keffel em um caderno extra
A revista O Cruzeiro veiculou as fotos de Keffel em um caderno extra

O artigo da nova análise fotográfica

Acesse o artigo dos pesquisadores Claudeir e Paola Covo sobre o truque fotográfico do caso Barra da Tijuca:

http://www.inpu.hpg.ig.com.br/tijuca0.htm

Referências

[1] CONDON, Edward U. (Scientific Director); GILLMOR, Daniel S. (Editor). Scientific study of unidentified flying objects. New York: Bantam Books, 1968.

[2] COVO, Claudeir; LUCHERINI, Paola. Caso Barra da Tijuca (forçando a barra): a Ufologia no Brasil começou com uma grande fraude. INPU, mar. 2002.

[3] GRANCHI, Irene. UFOs e abduções no Brasil. Rio de Janeiro: Novo Milênio, 1992.

[4] MARTINS, João; KEFFEL, Ed. Extra! Discos voadores na Barra da Tijuca. O Cruzeiro, Rio de Janeiro, 17 maio 1952.

[5] MARTINS, João. Revelado o segredo da Barra da Tijuca. O Cruzeiro, Rio de Janeiro, 31 out. 1959.

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